LOBOS

Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem na alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível

Herman Hesse

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

consciência da inconsciência

 

2


 

MUNDOS de novo

 

 


 

...05/01/2021

06.12 minutos

Preparo-me para iniciar mais um período lectivo. Anos de muitas décadas. 

Quatro, e muitos meses de reinicio das actividades lectivas. Como descrever por palavras, qual a narrativa certa para expressar o que sinto(?). 

Cabeça cheia , REFLEXÃO! REFLEXÃO REFLEXÃO...FELICIDADE PELO DESCONHECIDO.

sempre o ZERO COMO TIRO DE PARTIDA.

Os gestos de ontem, as decisões, as escolhas tudo numa amálgama deslocada pelo GLACIAR que armazena  das muitas  VIVÊNCIAS.

Não há saída possível, o PENSAMENTO é o ARMAZÉM do CAOS das MEMÓRIAS.

NO SILÊNCIO DO NEGRO DA Madrugada .  TODOS DORMEM nesta parte do mundo,,,pequenino.

Existem  muitos mundos .2 serão a  escolha.

Li por estes dias o "PENSAMENTO" de Herberto Hélder-que escreveu sobre futilidades na VIDA, assuntos com ausências. É demasiado para mim, não entendi o poeta. só partes do discurso.

Considero-o uma mente SURREALISTA.

Escolho 1 (um) pensamento OOO"ORALIZADO.

O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. Deve-se estar disponível para decepcionar os que confiaram em nós. Decepcionar é garantir o movimento. A confiança dos outros diz-lhes respeito. A nós mesmos diz respeito outra espécie de confiança. A de que somos insubstituíveis na nossa aventura e de que ninguém a fará por nós. De que ela se fará à margem da confiança alheia.


Jornal de Letras e Artes, 17 Maio 1964

 

ESFORCEI-ME , dei o litro, é demasiado para mim,LENDO, RELENDO E, para entender o seu FHOTOMATON & VOX.     Não consegui  nem CHEGAR  por PERTO da harmonia necessária para o implícito - nada visível. A escrita É O ESPELHO DO AUTOR. Enquanto isso, foram mais as vezes que pensei na saudade que tenho de  OLGA (sua mulher), na ESMERALDA  dos olhos verdes que me regava as FLORES . E dos muitos momentos que perdi em não as mimar. 

O PASSADO é PESADO , soma , soma-se sobre os ombros. Houve um dia que me orgulhava de todo ele, hoje já não estou tão certo. Tenho mesmo a certeza que não acertei uma...

  Tantas vezes  e TANTOS LUGARES, onde poderia ter levado a OLGA e a ESMERALDA. A mulata dos cabelos GRISALHOS. 

Beijou-me nos lábios em jeito de despedida  na bifurcação do largo do Camões com o LARGO de CHIADO. Não percebi nada daquele toque de fugida na minha intimidade (ao de LEVE). O SELO DE UM PACTO DE CONFIANÇA E AMIZADE. A SENHORA ESTAVA MUITO " àfrente do tempo", Início DA DÉCADA DE 80. 

Aproveita Esmeralda ai se eu pudesse...aproveita tu...

 O PASSADO e as DECISÕES do trilho são o peso que Deus nos  Deu para nos cansar e desistirmos de tudo. Quem sobrevive e chega à última fronteira  dos SESSENTA- terá em frente muito para REVOLVER. Herberto era na altura (um animal enjaulado por decisão própria. (...)-Um dia levo-te lá a casa disse-me OLGA. Era uma mulher extraordinária. Escrevo "ERA" porque fazendo as contas hoje ou será muito velhota centenária,ou já não estará entre nós. 

Poderia ter aprendido tanto com todas estas personagens a respirarem HISTÓRIA-EXPERIÊNCIA. 

(Vila Gomes-Porta 23 -1987)
 

 

Naqueles tempos, tinha (), muitas certezas.  Hoje tenho uma (1) e só uma.-"TENHO actuamente TODAS as DÚVIDAS"  e certezas dos falhanços. AURORA é UM ANJO da GUARDA.

  Hoje estará um dia de SOL. Ainda é escuro. O SILÊNCIO é uma CONSTANTE. A PAISAGEM COBERTA DE GELO pelo AMANHECER.

Existem dois MUNDOS.

Irei começar um (+1)2ºPERÍODO. De um ano qualquer -3 "{terceira} DÉCADA DE 21 .

IREI com toda a certeza DEMONSTRAR-LHES como SE DESENHA uma FLOR. Um edifício. Um conjunto de edifícios e o mundo em GERAL. Irei descobrir com eles OS SEGREDOS de todas estas constru;õs reinventadas pelo ESPADANAL.

  Existem dois MUNDOS , HOJE!

 O da FESTA-(QUEREMOS divertir-nos , estamos a perder a nossa JUVENTUDE)-como não é possível dizer a estas multidões da minha experiência...ESTÃO LONGE,,,por BARCELONA, nos ARREDORES de PARIS e nos SUBÚRBIOS de LISBOA MENINA e MOÇA, É UMA GRITARIA POR TUDO QUANTO É LUGAR ;NOS MÉDIAS , NOS LÍDERES MÁXIMOS DA NAÇÃO , NA DESGRAÇA QUE NOS DEVIA UNIR. GRITOS, PULO SE MUSICA BARATA-RUÍDOS ENSURDECEDORES. 

JOVENS APRENDAM NO DURO COMO SE CONSTRÓI UM FUTURO-Terão que ser (em) eles a aprender, para quando na fronteira dos sessenta, ENRIQUECEREM O IMAGINÁRIO COM AS MEMÓRIAS  dos seus HERBERTOS, e nos queijos ALENTEJANOS que ficaram por oferecer à OLGA, que um dia me presenteou com um beijo macio na despedida .  Subi a rua NOVA DA TRINDADE, ELA DESCEU PARA O CAIS do SODRÉ. Foi a última vez ...

 Sei hoje o significado. ´É  A ÚNICA COISA QUE NÃO PERDEMOS>>>A CAPACIDADE DE DECIFRAÇÃO.

  HERBERTO ESTAVA DEMASIADO FOCADO NA morte-e DEVERIA TER experienciado  nas ÁFRICAS ESSA COISA TÃO MEDONHA ,,,VIVEU TODA A SUA VIDA NA FRONTEIRA, A ÚLTIMA...POR ESSE MOTIVO TANTO FALAVA NA MORTE E ESCREVIA QUASE SEMPRE COM ELA PRESENTE,  NOS COPOS COM O ARRUMADOR DE CARROS NAQUELA RUA DE CASCAIS. 

ESCOLHIA COMO COMPANHIA GENTE DECADENTE, OS ESPOLIADOS SOCIAIS.

FRANCISCO DEIXA-ME MANSO COM AS SUAS VERDADES.

Li nos jornais uma coisa que me entristeceu bastante: num país, já não me lembro qual, para fugir do lockdown e fazer férias, saíram, numa tarde, mais de 40 aviões. "Estas pessoas, que são pessoas boas, não pensaram nos que ficavam em casa, nos problemas económicos de tantas pessoas que o confinamento deitou por terra, nos doentes? Só em fazer férias, desfrutar o próprio prazer. Isto me deixou muito triste. SÓ PENSAM EM FÉRIAS E EM SE DIVERTIR.

 

 


TÃO PEQUENINOS E DISTORCIDOS. ESMAGADOS POR TANTA RESPONSABILIDADE  E DESCONHECIMENTO .
 
 

 


VERDADES!

OLGA-ESMERALDA-AURORA!

2 MUNDOS!


CERTEZAS(?) -NENHUMAS!

...SÓ SAUDADE. 

SÃO DEMASIADAS FOTOS EM PAPEL NA MINHA EXISTÊNCIA-MUNDOS; CADA UMA DELAS CONTA A HISTÓRIA DE UM PEDAÇO DA VIDA- FRAGMENTADA.

E SSSS E(?) 

e se_____-!!___

...N\A EXISTISSE A SAUDADE E TANTO RUÍDO EM TEMPOS NEGROS DA NOSSA EXISTÊNCIA.
...05/01/2021

07:47 minutos

Li nos jornais uma coisa que me entristeceu bastante: num país, já não me lembro qual, para fugir do lockdown e fazer férias, saíram, numa tarde, mais de 40 aviões. "Estas pessoas, que são pessoas boas, não pensaram nos que ficavam em casa, nos problemas econômicos de tantas pessoas que o confinamento deitou por terra, nos doentes? Só em fazer férias, desfrutar o próprio prazer. Isto me deixou muito tri... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2021/01/03/papa-confessa-tristeza-ao-ver-viagens-de-ferias-durante-lockdown.htm?cmpid=copiaecola

sábado, 2 de janeiro de 2021

Isto logo se vê


 

 

O nosso mundo dividiu-se de um dia para o outro. Uma metade preta e uma metade branca. Os pessimistas e os otimistas. Comecemos pela metade branca, a do copo meio cheio. Um mundo administrado pelos otimistas seria um mundo em tons pastel e à velocidade da carroça, onde ninguém faz perguntas, e não é um mundo onde me apeteça viver porque estou na profissão de fazer perguntas. Os otimistas comoveram-se com o “ballet russo” das vacinas e certificam a esperança com o primeiro dia da vacinação ter “corrido bem”. Os camiões não viraram, os aviões não caíram, as pessoas estavam nos postos e prontas a receberem a imunização. Nada falhou. Por esta razão, alguns acreditaram que na primavera teremos imunidade de grupo e no verão toda a gente vacinada e pronta a ir de férias para o outro lado do sol posto, cavalgando aviões e ocupando hotéis. No outono, álacres e sorridentes, estaremos de volta ao mundo de ontem, contando a lenda da nossa virtude e falando do ano de 2020 no passado como quem narra uma façanha histórica. Passa a ser o aziago ano “o ano da pandemia”. E depois, a Humanidade venceu o vírus. The End.

Do meu lado pessimista, vejo um copo meio vazio. E 2021 como um ano com riscos maiores do que 2020. Poderá ser o ano do triunfo da impiedade e do egoísmo universal.

Comecemos pelas vacinas. Um feito da ciência, sem dúvida, e um feito da Big Pharma que parece ter-se redimido de todos os vícios e pecados, mas um feito ao qual não foram feitas perguntas. A necessidade da vacinação é tão grande que se pôs de lado o cuidado de perguntar sobre a vacina e sobre a manufatura da vacina. A brutal e bem-sucedida campanha de marketing realçou a absoluta fiabilidade e segurança da injeção, quod erat demonstrandum, sem responder a perguntas às quais não saberia responder. Os CEO e investidores ganharam milhões de dólares com os anúncios das vacinas, num claro fenómeno de inside trading, e ninguém questionou o comportamento predatório.

As pessoas vacinadas podem ou não ser portadoras do vírus e transmiti-lo a outras pessoas? Não sei, não percebi. Uns dizem que sim, outros que não, outros que talvez. Caso a resposta seja afirmativa, podem transmitir, isso significa que a vacina protege apenas o próprio dos efeitos da doença, não impede a infeção e transmissão. Significa que as restrições que conhecemos continuam a ser necessárias, pelo menos até quase toda a população estar vacinada. A primeira e principal característica das vacinas é a escassez. E a escassez, mesmo num mercado controlado pelo Estado, tem leis universais, tão rigorosas como as da física. As vacinas não podem ser manufaturadas a tempo e horas para que na primeira metade do ano de 2021 a população possa estar protegida. E, sobretudo, a população ativa. A escassez de vacinas, e a luta desenfreada pelas vacinas disponíveis, irá condicionar todo o ano que vem.

Tudo o que sabemos, sabemos sobre as duas primeiras fases da vacinação, as mais fáceis, as que só podem correr bem. A primeira fase foi a do ballet russo, poucas vacinas para poucas pessoas, por comparação com o resto da população, e sobretudo para pessoas identificadas e imóveis. Não só porque as pessoas a vacinar são facilmente detetadas, também porque as pessoas a vacinar são as mais bem preparadas para a vacina, estiveram na linha de combate durante meses, num sofrimento e cansaço que nenhum de nós, os que não somos trabalhadores da saúde, pode imaginar. Ver esta gente ter finalmente a dose de esperança e proteção foi, é, uma alegria coletiva. Deveriam ser sempre os primeiros. E merecem a nossa gratidão e louvor.

Infelizmente, não são os únicos. Resta a população de Portugal. E da Europa. E do mundo. Mesmo que a segunda fase, onde estão os mais vulneráveis e os doentes com patologias graves, corresse muito bem e se concluísse em três meses, abril, maio e junho, o resto da população portuguesa só começaria a ser vacinada em julho. Ora o verão é problemático. Muita gente vai querer ir de férias vacinada, e muitos dos postos e vacinadores vão querer ir de férias mesmo que haja um imperativo nacional de continuar a vacinar. Em Portugal, as férias, como os feriados, são sagrados. A interrupção ou cancelamento gera revoltas e protestos.

Estamos a falar da percentagem maior a vacinar, e ainda não sabemos com que vacinas, incluindo as vacinas não aprovadas sobre as quais ninguém fez ou fará perguntas, e quantas vacinas irão estar disponíveis no mercado. Ou como vai a Europa distribuí-las. Esta fase, certamente a mais dura, morosa, complexa e de difícil resolução logística, foi arrumada pelas autoridades num grupo a que chamo Depois Logo Se Vê.

No grupo Depois Logo Se Vê estamos quase todos. Como, quando, com quê? Estamos a falar de milhões de pessoas, muitas não detetáveis. Estamos a falar de portugueses que não têm médico de família, porque usam os seguros, visto que o nosso sistema de Saúde é misto, embora, estranhamente, os trabalhadores dos hospitais privados não tenham sido contemplados como trabalhadores da Saúde. As vantagens do sistema misto são, desde logo, evitar a sobrecarga do SNS. Como é possível que os hospitais privados estejam no grupo Depois Logo se Vê? Estes doentes e os que os tratam são excedentários? Deixamos infetar um hospital privado porque não vacinámos os que nele trabalham? Não se percebe, é demasiado confuso. E como foi possível deixar os professores de fora dos grupos prioritários? A escassez é a resposta.

A segunda metade do ano de 2021 vai ser governada pela escassez e pela procura. Num mundo governado por estas leis, raramente as pessoas se portam bem. Os privilegiados vão querer sonegar e desviar vacinas para o grupo. As falsificações e crimes vão abundar. O mercado negro espreita o momento. E isto, acreditando que a Europa vai continuar a distribuir equitativamente as vacinas por todos os países, o que não se verificará se a escassez afetar o eleitorado dos países mais ricos. Li que a Bulgária só teria a população vacinada em 2024. E resta o problema da Hungria e da Polónia, que insistirão em furar as regras de coexistência e acabarão a comprar vacinas à Rússia ou à China, na competição geoestratégica, oriente contra ocidente, ditadura contra democracia, comunismo contra capitalismo, que a vacina instituiu. As leis de mercado vão colidir com os monopólios públicos da vacinação. Tem tudo para correr mal. O Reino Unido vai desregular tudo o que puder desregular e navegar sozinho, sem cuidar dos parceiros que não tem. A vacina deles será, primeiro, para eles. E toda a gente se recorda do episódio dos camiões com máscaras que seguiam para a Suíça, que as tinha comprado, que a Alemanha desviou e açambarcou.

 

 

 


 

Resta o problema maior. A economia. A manutenção destas restrições durante, pelo menos, mais nove ou dez meses vai destruir definitivamente pequenas e médias empresas, vai destruir mais empregos, vai destruir o que ainda não foi destruído. Mesmo com o dinheiro da Europa, e poucas perguntas foram feitas sobre o preço futuro deste dinheiro, a salvação não chegará a todos. Do mesmo modo, para a saúde mental e física dos portugueses que fazem andar a economia, a salvação não chegará a horas. Esperar parece ser a única, e fraca, consolação. “Isto” ainda não começou.

 (Clara Ferreira Alves, in Expresso, 31/12/2020)

Estátua de sal