LOBOS

Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem na alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível

Herman Hesse

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

JORDÃO FUTEBOLISTA-PINTOR





Rui Manuel Trindade Jordão
1952 / 2019

Morreu Rui Jordão, o grande goleador que se zangou com o futebol

 


https://www.dn.pt/desportos/morreu-rui-jordao-o-grande-goleador-que-se-zangou-com-o-futebol-11374571.html 

Chamavam-lhe Gazela de Benguela e chegou a ser apontado no Benfica como o sucessor de Eusébio. Mas foi no Sporting que brilhou mais alto ao lado de Manuel Fernandes e Oliveira. Quando encerrou a carreira afastou-se do futebol e dedicou-se à pintura.




" Rui Jordão está afastado do futebol. Aliás, detesta que lhe falem de futebol. E também evita jornalistas. Tornou-se pintor, manifestando "uma apetência pelas artes" que confessa ter existido desde que se conhece. Fez o curso de Pintura e Desenho na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa e frequentou o curso de Modelagem, ministrado pelo escultor Sebastião Quintino, e o atelier livre do pintor Jaime Silva."

http://leaodaestrela.blogspot.com/2008/02/as-artes-de-rui-jordo.html



«Ele quis sempre o Sporting»
Apesar de Jordão se ter afastado do futebol, dedicando-se à pintura, Manuel Fernandes recorda a paixão do amigo pelo clube do coração, que continuou sempre a acompanhar. «Ele quis sempre o Sporting, é sportinguista desde que nasceu. Jogou no Benfica - o Sporting não o quis quando ele veio de Benguela e o Benfica quis -, mas as pessoas podem ir para o Benfica, não quer dizer nada, porque o coração dele esteva sempre no Sporting. Quando voltou a Portugal, do Saragoça, veio logo para o Sporting, era o clube que gostava de representar. Nem ouviu propostas de outros clubes», recordou. «Juntos marcámos quase 700 golos, coisa única no Sporting e no futebol português», concluiu.


MANUEL FERNANDES 
 


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

O TAXISTA VENDEDOR DE GRILOS




DESCONSTRUÇÃO OU A REALIDADE 
 O TI JÓCAS
PELA VOZ DELA PARECEM PÉTALAS DE ROSAS A CAÍREM-ME AOS  PÉS...GRANDE QUE É O MEU POTENCIAL NA CRIAÇÃO DE IMAGENS MENTAIS.
CONHEÇO A CARLA DESDE PRINCÍPIOS DE NOVENTA, AQUELAS TURMAS DO SECUNDÁRIO ONDE OS VOCACIONADOS  ABUNDAVAM, CONTAVAM-SE "ÀS TONELADAS". CARLA MANTÉM O SORRISO, A A SERENIDADE, A FORMA DE OBSERVAR COM AQUELE SORRIR MAROTO NOS OLHOS ...DE QUEM JÁ CONHECE MUITO DA VIDA.

ONTEM COMO HÁ QUASE 3 DÉCADAS (C) "DEU-ME UM PRESENTE" PARA REFLEXÃO, TROUXE-O ATÉ HOJE BEM ACONCHEGADINHO NO MEU ARQUIVO DE MEMÓRIAS, PRONTO A SERVIR.



-MAS QUE MERDA  ESTA, EM VEZ DE TRABALHARES ANDAS A FAZER PONTO CRUZ... (C) ESPANTADA OLHOU-ME E RIPOSTOU ,,, MAS PROFESSOR, É PARA A CAPA DO MEU DIÁRIO...(AAAAH!!)DESCULPA, QUE RAIO DE CAPA, MAS, DESTA NÃO ME SAFEI.(ESTÁVAMOS TALVEZ...NOS IDOS DE  EM 1996)



CARLA  CRESCEU, PARIU DUAS CRIANÇAS E É A MENTORA DE UMA FAMÍLIA.
NESTES CAMINHOS DO MESTRADO LÁ PARA OS LADOS DAS BELAS ARTES,,, QUIS O DESTINO QUE ELA REGRESSASSE 
 À AMATO E ÀS  MINHAS AULAS, POUCO TENHO PARA LHE OFERECER NOS DOMÍNIOS DA PEDAGOGIA E TEORIA DAS ARTES.ACONSELHO-A A
 INTERVIR E SEMEAR EXPERIÊNCIAS.DOU-LHE BREVES CONSELHOS COMO SE VALORIZAR NOS CAPÍTULOS DA REINVENÇÃO E DA EXIGÊNCIA COM ELA E COM OS ALUNOS.

 (C) É MAIS UMA DA GERAÇÃO DOS QUARENTA QUE VÊ-SE GREGA PARA ORGANIZAR A VIDA. MEIA DÚZIA DE HORAS , HORÁRIOS INCOMPLETOS E MÁS EXPERIÊNCIAS COM AS LIDERANÇAS EM ALGUMAS ESCOLAS FREQUENTADAS. A JOVEM PROFESSORA  SABE DA COISA, NÃO ESQUEÇO O PONTO CRUZ, A TELA ENORME DO BETO DO SPORTING COM UMA BOLA DE RUGBY E SEMPRE O SORRISO....GOSTO DAQUELES OLHOS QUE SORRIEM.E ME CONTAM HISTÓRIAS DE VERDADE.

ONTEM NUMA CURTA CONVERSA O PRESENTE FOI POÉTICO E DIGNO DUM FILME DE  Giuseppe Tornatore.
CONTOU-ME HISTÓRIA DO SENHOR JOAQUIM DO CARMO, TAXISTA EM LISBOA COM UMA ENNNNNNORMEEEEE! HISTÓRIA DE VIDA. ESTE,
ESTEVE SEMPRE LIGADO ÀS ORIGENS E TEIMOSAMENTE TRANSPORTOU PARA A REALIDADE DOS DIAS AS SUAS VIVÊNCIAS DO PASSADO. NAS  CHUVAS PRIMEIRAS "CAÇA" AGULHAS PARA ARMAR AOS PÁSSAROS . 

E COMO ELEITA A QUE ESTAVA NO TOPO DA FELICIDADE- O ARREAR O CALHAU DEBAIXO DE UMA OLIVEIRA. O PRAZER MÁXIMO  QUANDO "APORTAVA" À BEIRA.

(A real origem vem do facto de nem sempre ter existido papel higiénico. No alentejo era frequente procurar-se uma pedra lisa (calhau) para que após a defecação se pudesse limpar o real traseiro. Após o acto de limpeza (evidentemente pouco eficiente) atirava-se a pedra para longe. Daí vem o termo Arrear (atirar) o calhau. DANIEL LOPES)


O QUE ME DESPERTOU PARA ESTE MINI ARTIGO FOI A OUTRA DAS GRANDES PAIXÕES DA QUAL UMA FILHA "JETSET" SE ENVERGONHAVA DE O TER COMO PAI. 

O SENHOR TONITO NOS INÍCIOS DA PRIMAVERA PROSTAVA-SE DE JOELHOS E COM UMAS PALHINHAS CAÇAVA GRILOS  QUE POSTERIORMENTE SERIAM VENDIDOS  NO SEU TÁXI EM LISBOA. CONSTRUÍA  AS SUAS GAIOLAS  COM CANAS OU AS MAIS CLÁSSICAS COM ARAMEZINHOS. UM TAXISTA VENDEDOR DE GRILOS E GRILAS, MUITAS FREGUESAS ESCOLHIAM AS GRILAS PORQUE ERAM MAIS BONITAS...ESQUECIAM-SE NESSA MÁ ESCOLHA QUE AS GRILAS NÃO CANTAM E ...MORDEM.
 FOI TAXISTA EM LISBOA ATÉ SE FARTAR, SAIU PELA PORTA GRANDE NUM GRANDE VOO DO ALTO DA PONTE SALAZAR MERGULHANDO NO TEJO, E DEIXANDO-ME COMO HERANÇA UM SORRISO DE ORELHA A ORELHA-UM TAXISTA QUE VENDIA GAIOLAS COM GRILOS AOS SEUS FREGUESES..E COM GRILAS.
UM GRANDE LIVRO PARA O
Luis Sepúlveda DEPOIS DO FILME DE TORNATONE.


...

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

CHICOMANÉL

CHICO
O
EMPREENDEDOR





...FOI DAS MELHORES PESSOAS QUE CONHECI NA MINHA VIDA.


FRANCISCO MANUEL ESPADANAL COSTA
1954 / 2019







EMPREENDEDOR- HUMANO-GRANDE NEGOCIANTE, PAI DE DUAS FILHAS E AVÔ DE 2 NETOS  E 3 NETAS.
UM MAGNÍFICO PERCURSO DE VIDA, INIGUALÁVEL.
HOMENAGEM AO MEU PRIMO QUE SEMPRE ME ATUROU DAS BOAS, COM UM SORRISO NO ROSTO.

MEMÓRIAS DO CHICOMANÉLI 



3
ANOS 60.ANOS70
ANOS 80 

EVOCANDO MEMÓRIAS SOBRE O CHICOMANÉL.
CHICO FOI O MEU SEGUNDO PRIMO DA RUA DOS TELHEIROS, A MÃE PRIMA DIREITA DE MINHA MÃE. MAS, FOMOS SEMPRE FAMÍLIA CHEGADA.

Não é possível dissociar esta evocação das memórias do MONTE DO "FRAGÉL", onde a acalmia do Alentejo se fazia sentir. As minhas memórias   viajam até inícios dos anos sessenta do século passado. Recordo-me muito bem do espírito e das pessoas. Penso que estas pequenas viagens realizadas pela minha mãe comigo atrás, eram uma fuga ao desencanto que ela tinha da sua vida doZARCOS. Ir para o FRAGÉL procurando PAZ e os lugares do seu passado. Recordo-me dos odores e sabores, os  assados no forno,, os bolos de azeite e manteiga. Ai as canjas com ovo cozido(!!!),a fruta da horta e o ribeiro -nascente  de água límpida, o cantar da passarada e a fresquidão na habitação. Da tia Carolina irmã do meu avô e do marido irmão da  minha avó
 ( Avó!cujos restos  depositei juntos com os de minha mãe), ainda o oiço o TiManél a gemer consumindo-se em dores no quarto pequenino e escuro quase de partida para outra dimensão. 

O dia após o casamento de Vila Viçosa, O segundo dia no monte e o grande ensopado de borrego.  
 ...
Vila Viçosa


O meu pai João e a TiCarolina


Cheira, (?), Eu e Carlos Espadanal


O saudoso primo Rui Ferro, Eu e o Zé Manél 
...
A nossa relação cimentou-se aqui- existia na verdade um pacto de amor que se estenderia para sempre. Maria Luísa minha mãe gostava na realidade da  prima MARINÁCIA.
E foi esta comunhão que se prolongaria num tempo de memórias pelas décadas seguintes até aos anos noventa.

 Os meus pais com o Júlio e a Susi-Vila Gomes Lisboa
Finais de oitenta

Já com a família numerosa, um núcleo estanque como as famílias ciganas, onde estava um estavam todos...e é este percurso que estas fotografias documentam. As do casamento do Chico em finais de setenta e as outras da Susi e do Júlio nos anos oitenta.


E  em 1990 no tanque do "FRAGÉL" com umas primas de quem não sei referências (...do Porto? UMA FILHA DO ZÉ MANÉL (?) e com a Susi e a Alexandra. 


Susi e Júlio na Rua NOVA- Arcos 1990

Foram sempre confortáveis as estadias na Frandina, sentia-se comunhão e AMOR.
 Hoje perdidos todos nesta separação em que as relações familiares se tornaram, procuro palavras que relembrem verdadeiramente os gestos desta troca de afectos simples é também uma fuga ao desespero da passagem dos anos. Tudo se perdeu nos tempos ou quase tudo,,,restam as memórias que os ventos  da inevitabilidade apagarão, na segunda geração. 

A única que resta é a PRIMA MARINÁCIA ( ...e o meu tio Joaquim Manuel)a mais paciente que sempre viveu acomodada no seu silêncio, fiel reprodução  da mãe TICAROLINA . 
Eu a evocar o passado e a Rosa que conheceu alguns fragmentos destes "viveres". As filhas "viajaram" por terras do conhecimento muito depois de oitenta. E porque na actualidade, o momentos, os dias e as(...!!!)são escassos e efémeros. Ficam as palavras as imagens, o reconhecimento e a GRATIDÃO por esta viagem de seis décadas com a família "CIGANA" dos lados da Amadora-Cacém que um dia "nasceu" no MONTE em L do FRAGÉL, onde sempre me senti bem BEM-VINDO.

Nunca tive astúcia nem engenho para construir um ambiente familiar desta natureza.

 Usufruí DELE, aprendi e construí memórias ... nas margens deste "RIO" imenso que foi a vida do meu segundo primo da FRANDINA. 
CHICOMANÉLIIII!...



 

O CHICO! E O MEU PASSADO.
(FACTOS!)...
HÁ 3 MOMENTOS QUE QUERO DEIXAR NARRADOS, REVELADORES DE UMA PERSONAGEM AFECTUOSA E AMIGA.
UM DELES REPORTA-SE AOS ANOS SESSENTA DO SÉCULO PASSADO (1968). ESTAVA NO CICLO  PREPARATÓRIO, O CHICO NO FINAL DO CURSO, PENSO EU. SEI QUE DEPOIS IRIA TERMINAR  NO CACÉM O PERCURSO ESCOLAR E CASARIA LOGO DE SEGUIDA COM ROSA ESTA BRASILEIRA. 
NAS TRASEIRAS DA OFICINA , EXISTIA UM LOCAL ONDE DESPEJAVAM O LIXO DA SECRETARIA DA ESCOLA INDUSTRIAL. NÓS GAIATOS DO CICLO GOSTÁVAMOS MUITO DE O IR VASCULHAR  PROCURANDO OS PAPÉIS QUÍMICOS ONDE PODERIAM ESTAR OS ENUNCIADOS DE TESTES ESCRITOS. NUMA DESSAS PESQUISAS ENCONTREI UMA FOTO TIPO-PASSE DO MEU SEGUNDO PRIMO DA RUA DOS TELHEIROS COM QUEM ATÉ AÍ NUNCA TINHA FALADO MAS QUE CONHECIA DE VISTA NAS VISITAS À MINHA MADRINHA LURDES QUE VIVIA UM POUCO MAIS À FRENTE NA MESMA RUA E PELA BOCA DE MINHA MÃE.
ENTREGUEI-LHE A FOTO NUM DOS CORREDORES DA ESCOLA E ELE SIMPÁTICO FICOU-ME GRATO MOSTRANDO-SE SURPREENDIDO E PRESENTEANDO-ME COM UM LARGO SORRISO. DESDE AÍ CARIMBÁMOS A NOSSA  ADMIRAÇÃO (MÚTUA).
FORAM VIVER PARA O CACÉM MUITO PERTO DESTA DATA (ELE E A MÃE),. CHICO PERDEU O PAI MUITO NOVO E A MINHA PRIMA IRIA VIVER COM UM OUTRO SENHOR QUE TINHA CONTACTADO POR CORRESPONDÊNCIA (POR CARTA). UM "RETORNADO DO BRASIL ENDINHEIRADO QUE LHE FARIA A VIDA NEGRA, MAS ESTA MULHER-SANTA AGUENTOU SEMPRE TUDO.
...
EM 1976 REENCONTREI-ME COM O CHICO PERTO DO  TRIBUNAL DA BOA HORA NO CHIADO-TRABALHAVA NUM ESCRITÓRIO MAS JÁ AQUI REVELAVA GRANDES E AMBICIOSOS SONHOS. 
EU TINHA CHEGADO À RUA DO SÉCULO E À ANTÓNIO ARROIO. VISITEI UMA ÚNICA VEZ O MEU SEGUNDO PRIMO NO PRIMEIRO ANDAR DE UMA TRAVESSA DA RUA NOVA DO ALMADA. 

NESSE ENCONTRO E COM UM BRILHOZINHO NOS OLHOS REFERIU-SE AOS SEUS PLANOS: « QUE TINHA NA IDEIA COMPRAR UMAS GRADES DE CERVEJA E UNS ENCHIDOS QUE IRIA VENDER PARA A FESTA DO AVANTE». ESSA DECISÃO MARCARIA A SUA VIDA PARA SEMPRE, (A DESPEDIDO DO EMPREGADO DE ESCRITÓRIO), TORNANDO-SE UM COMERCIANTE CRIATIVO, MOTIVADO E EMPREENDEDOR. INICIOU-SE COM PUJANÇA   E FOI EVOLUINDO DE PEQUENAS BANCADAS PARA  ROULOTES  MODERNAS DE BIFANAS E CERVEJA FRESQUINHA. 
LOCALIZANDO-AS EM REDOR DOS ESTÁDIOS ALVALADE  E LUZ, OS GRANDES DE LISBOA. E EM VÁRIOS LOCAIS ONDE EXISTISSE GENTE COM FARTURA,  BELÉM, ESTADO NACIONAL OU 24 DE JULHO...FORAM LOCAIS DE POISO PARA VENDAS DE BIFANAS E COIRATOS.
CONSTRUIU UM PEQUENO IMPÉRIO PARA TODA A FAMÍLIA. HOJE ENORME, E TENHO A CERTEZA QUE DEIXOU TUDO ORGANIZADO PARA  ESTES CONTINUAREM O SEU LEGADO.
FOI UM HOMEM DE LARGOS HORIZONTES E DEDICADO À CONSTRUÇÃO DE UMA UMA ESTRUTURA  SÓLIDA E COM FUTURO. 
FEITOS DIGNOS DO NOME ESPADANAL-COSTA.



...

EM 1983, AGOSTO, OS MEUS PAIS ESTAVAM A PASSAR UNS DIAS NO CACÉM COM A NOSSA PRIMA, CHICO TINHA-SE CASADO EM FINAIS DE SETENTA.
O JÚLIO TINHA NASCIDO HÁ POUCAS SEMANAS . RECEBEMOS O CONVITE DE UMA BOLEIA COM O CHICO-DESTINO ESTREMOZ.
FUI TER AO CACÉM  COM A MARIA DO  CARMO E O JÚLIO. E CONSTATEI QUE IRIA SER UMA VIAGEM DURA, UMA CARRINHA DE OITO LUGARES TRANSPORTARIA 11PESSOAS.  DESESPEREI TODA A VIAGEM  LANÇANDO FARPAS AO CONDUTOR.

-DEVERIA APARECER A POLÍCIA E LEVAR-NOS TODOS PRESOS.E MUITAS MAIS...
NA VERDADE A POLICIA MANDOU-NOS PARAR ANTES DE VILA-FRANCA, ENFIARAM A CABEÇA NA JANELA E LIMITARAM-SE A OLHAR SEM CONTAREM O NÚMERO DE PEÇAS QUE IAM NELA. 
CHICO ORGULHOSAMENTE E EM SILÊNCIO  SABOREAVA A VITÓRIA.

 CONTINUEI "LADRANDO" O MEU NERVOSISMO E ELE RIA SEM PERDER A COMPOSTURA.
FOI SEMPRE ESTE ESTADO DE ESPÍRITO POSITIVO QUE AUMENTOU A MINHA ADMIRAÇÃO PELA SUA ATITUDE PERANTE A VIDA. RECORRI A ELE MUITAS VEZES E DISSE SEMPRE SIM NUNCA FALHANDO. FOI O CHICOMANÉL QUE TRANSPORTOU A TRALHA DO ATELIER DA ÓSCAR MONTEIRO TORRES PARA A MARQUES DA SILVA.  E A DA PRAIA DAS MAÇÃS PARA A RUA DO SÉCULO (PRIMA ORQUÍDEA) E PARA A MINHA CASA DOZARCOS.
QUEM PERTO DO CHICOMANÉL ESTIVESSE JAMAIS MORRERIA À FOME, GRANDES JANTARES. GRANDES BANQUETES ONDE ELE ESTAVA HAVIA SEMPRE MESA CHEIA...DE MUITA FAMÍLIA.
FOI UM HOMEM BOM, BEM COM A VIDA. ADMIRÁVEL,   COM SORTE FECHOU O CÍRCULO ORGULHOSO DE VER A FAMÍLIA CRESCER, ELE FILHO ÚNICO QUE TINHA PERDIDO O PAI  ANTES DOS 10 ANOS DE IDADE.  TINHA RAZÕES PARA SER "AZEDO" MAS ESCOLHEU O CAMINHO DOS AFECTOS E DAS PARTILHAS.

HOJE SÃO 11. A PRIMAMARINÁCIA AINDA VIVE (FABULOSA, ENCANTADORA E CONCILIADORA). A FILHA MAIS VELHA ALEXANDRA É ENFERMEIRA NO AMADORA-SINTRA -SUSI EDUCADORA DE INFÂNCIA DEIXOU A PROFISSÃO E SEGUIU AS PEGADAS DO PAI-TEM UM BAR DO BAIRRO-ALTO. ROSA DEVERÁ CONTINUAR COM O NEGÓCIO EM FRENTE À LUZ E ALVALADE COM ALGUM DOS GENROS...( SOU EU EM SUPOSIÇÃO ACELERADA). 

CHICO DEVERÁ DESCANSAR EM ESTREMOZ, TERRA QUE SEMPRE AMOU.



ROSA-ALEXANDRA-SUSI-CHICO E PRIMA MARINÁCIA

AS NETAS COM A AVÓ

FICA AQUI EXPRESSO O MEU AGRADECIMENTO PELA LONGA "VIAGEM" QUE JUNTOS FIZEMOS. E POR TUDO O QUE ME ENSINASTE- NUNCA SE DEVE PERDER O DOMÍNIO DA BOA DISPOSIÇÃO, O QUE É PARA FAZER TEM QUE SER FEITO NEM QUE NÃO SE DURMA.
 QUANDO É PARA FESTEJAR ENTÃO PARTIMOS A LOIÇA TODA.

Vou-te contar um segredo. Mas guarda-o bem.
“Há pessoas que vieram a este mundo para não mais partirem”.
Nem sempre entendi o que me queriam dizer.
Mas hoje, compreendi na perfeição cada uma destas palavras.

Quando partimos fisicamente deste mundo, deixamos um legado.
As pessoas que amámos.
As memórias que construímos.
E as vidas em que tocámos.

Hoje, no meio de tantas lágrimas de dor, fui testemunha de tantos sorrisos.
Porque os momentos com ele eram assim. Felizes.
Em volta de uma mesa, numa viagem de carro, num passeio ou, até mesmo, num encontro casual num posto de abastecimento.
Recordar o primo Chico é lembrar que a felicidade da vida vem da partilha.
É a alegria de nos doarmos por um bem comum.
É a verdade de sermos quem somos, sem artefactos.
É a simplicidade do ser e da alma.
É o amor pela vida.

Ele não gostava de tristeza.
Não vestia de preto.
Abominava a fragilidade que, por vezes, o atormentava.
E, por isso, estas palavras, vão carregadas de afecto.

Mais do que o dizer adeus, é o dizer obrigada.
Obrigada pela oportunidade de ter conhecido alguém assim.

Somos um momento.
Um escasso momento.
Um feixe de luz que atravessa o mundo e o aclara por breves instantes.
Mas nesse momento, tão curto, iluminamos tantas vidas que quando a nossa luz se apaga, depressa se reacende em todos aqueles que amámos.

A eternidade...
A eternidade é assim.
A derradeira prova de conseguirmos ser maiores do que a nossa própria existência.

Da prima Catarina Ramos❤️

QUE VOES PELA ETERNIDADE, GRANDE CHICOMANÉLI (!!). 

(pensadorlobo@gmail.com)