LOBOS

Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem na alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível

Herman Hesse

sábado, 18 de agosto de 2018

CATARINA, MEU AMOR


O ÚLTIMO GUARDIÃO DO TEMPLO


11 DE AGOSTO DE 18

PRIMAVERA-OUTONO




JOAQUIM MANUEL RAMOS



11-08-1931
DescendenteS: Francisco João Ameixa Ramos
Neta- Catarina Ramos
http://coraoquesenteacordaterra.blogspot.com/2009/11/joaquim-manuel-o-conciliador.html

INTRODUÇÃO


 

12 DE AGOSTO-VERÃO ATÍPICO,( COMO OS ANTERIORES). ARDEM AS ÁRVORES  DE CALOR. AS ÁRVORES A PAISAGEM, E OS CÃES COM LÍNGUAS DE METRO.
PERDI A GUERRA COM AS ERVAS DANINHAS DA MINHA HORTA.
PERDI TODAS AS GUERRAS, COM AS ERVAS DANINHAS QUE TODOS
OS ANOS POVOAM OS MEUS TOMATEIROS, PIMENTEIROS E ABOBOREIRAS. DE DENTES CERRADOS DIGO PARA MIM:- ESTE ANO É QUE AS VENÇO! NADA DISTO ACONTECEU, BASTARAM OITO DIAS E DERAM-ME UM BAILINHO.
A HORTA DEVE TRATAR-SE COM AMOR E PERSISTÊNCIA. MAS, UNS DIAS DE DISTRACÇÃO,  AS INIMIGAS   ESPREITAM,  VENCEM-ME SEM APELO NEM AGRAVO.
ESTA LUTA INGLÓRIA TEM O SEU PARALELISMO, COM O ANDAR DO TEMPO-ALGUÉM CONSEGUE FECHAR A PORTA AO TEMPO (?!)-(NUNCA!)...NEM VENCER AS ERVAS DANINHAS DAS CONTRADIÇÕES, QUE SÃO AS NOSSAS VIDAS. 



TODOS OS ANOS NO DIA 11 DE AGOSTO O MEU TIO FAZ ANOS, E TODOS OS ANOS, LHE ENVIO UMA MENSAGEM DE ÂNIMO E AMIZADE. ONTEM, E PORQUE  ASSIM CALHOU , TIVE A OPORTUNIDADE DE O ABRAÇAR, NESTE DIA 11. 

O TAL 11 DE AGOSTO.

 TODA A GENTE COM SORTE TEM TIOS. SÓ ME RESTAM 2...NÃO QUERENDO ENTRAR POR ESTA PORTA DAS CONTAS DE DIMINUIR, PORQUE ESTA É UMA MENSAGEM COM AMOR, EMBRULHADA DE UM COLORIDO PAPEL DE GRATIDÃO.
 FOMOS TANTOS E SOMOS TÃO POUCOS. 


O ÚLTIMO GUARDIÃO, DA SABEDORIA, DAS PALAVRAS SENSATAS, DAS OPINIÕES NA HORA CERTA. DE UM RIO QUE SEMPRE CORREU MANSO. EQUILIBRADO, CONHECEDOR DE MUITOS  MUNDOS...  
SERENEI NO QUE DIZ RESPEITO AO VOLTAR A ESCREVER SOBRE AS FAÇANHAS DESTA FAMÍLIA RAMOS , NA QUAL ESTÁ INCLUÍDO ESTE HOMEM BOM E SÁBIO.



 PORQUE MELHOR QUE A CATARINA, NINGUÉM ESCREVE. ELA TEM EM SI O ACERVO  DA SIMBOLOGIA DE MUITAS VIDAS PASSADAS. DENTRO DE SI UMA HERANÇA DOS ESPÍRITOS BONS DESTA CENTENÁRIA, FAMÍLIA.
O ÚLTIMO GUARDIÃO, A ÚLTIMA PORTA QUE ABERTA ME ESPERA, ESTOU NA REALIDADE NA ÚLTIMA PARCELA DA VIDA. QUE PENA SERMOS FINITOS, QUANDO SE INSTALA EM NÓS A FACILIDADE NA LEITURA DA ENVOLVÊNCIA. E SE TORNA TÃO CLARA AOS NOSSOS OLHOS, A INSIGNIFICÂNCIA DA VIDA E O "CAOS" DA ACALMIA DO NÃO APETECER CONSTRUIR MAIS NADA. PORQUE NÃO VALE A PENA. 
PORQUE NÃO HÁ TEMPO PARA USUFRUIR.

ELES CONHECEM-SE TÃO BEM...CATARINA MEU AMOR-EM TODOS OS MOMENTOS E TODOS OS ESCRITOS, OS SEUS OLHOS ILUMINADOS.ESPERAM-ME E FAZEM-ME OFERENDAS-PARTILHAS QUE SE PERDEM NO TEMPO...ESTE HOMEM FOI SEMPRE ASSIM, DEIXOU-NOS TUDO.










PASSO O TESTEMUNHO A CATARINA, PORQUE É DE CONSTRUÇÃO,E SEM ERVAS DANINHAS A ATORMENTAREM-LHE AS SEMEADURAS, DA PRIMAVERA QUE É A SUA VIDA.






Hoje é o aniversário de alguém muito especial. Hoje é o aniversário de um dos amores da minha vida.


O avô Joaquim não teve a vida mais fácil do mundo. O avô Joaquim perdeu a mãe quando era apenas uma criança de seis anos. (Até hoje chora por ela). O avô Joaquim foi criado pela menina Marta, pela avó Inácia, pelo tio Bragança... (os nomes que ecoam das histórias que oiço de outros tempos). O avô Joaquim começou a trabalhar ainda menino. Trabalhou no campo, criou vacas, vendeu leite. O avô Joaquim ambicionou saber mais e por isso procurou. Procurou ler o que podia. Procurou ouvir quem devia. Procurou ser sempre melhor naquilo que fazia.


Hoje, ao sair à rua, sou orgulhosamente a neta do Joaquim Manel. A pessoa que toda a gente conhece e de quem só oiço falar bem.

O avô Joaquim conserva amizades mais antigas que a minha própria vida. Tem os amigos do café, os amigos do trabalho, os amigos da tropa, os amigos da Frandina, os amigos que Deus já levou...

O avô Joaquim ensinou-me praticamente tudo.

Insistiu durante horas comigo para que eu dissesse “avó” e fez dessa a minha primeira palavra.
Insistiu para que eu gatinhasse, para que me mantivesse em pé sem cair, para que eu avançasse naqueles sapatinho vermelhos e, assim, foi na direcção dele que dei o meu primeiro passo.
Quando vinha a Lisboa levava-me ao parque a passear. Eu fingia que era a mãe e ele o filho. Tantas gargalhadas arrancámos de senhoras, que também passeavam, quando eu dizia coisas como “fica aí filhinho que a mãezinha vai ao escorrega”. Ou quando insistia para que me pegasse ao colo para ver as “boetas”. Ou ainda quando o fazia limpar o pó do meu cão de peluche (o Boby) à janela e as pessoas lá em baixo gritavam “deixe o pobre animal! Não o magoe!”.

A verdade é que este tempo já passou e o relato destas histórias gera em mim uma saudade de um tamanho imensurável.
A seguir a esta época outras histórias vieram.

No Natal o avô Joaquim era o encenador. Eu, a Mariana e o Pedro, os actores principais. A família reunia-se na sala e nós cantávamos canções, declamávamos poemas, representávamos o que podíamos e dançávamos. Ele organizava tudo. Planeava, dirigia e apresentava. No final, dizia que o mérito era todo nosso. Mas, para mim, os aplausos seriam sempre para ele.

Foi o avô Joaquim que me iniciou na poesia. Foi para ele que eu escrevi as minhas primeiras tentativas de poemas.
Foi com ele que nasceu o meu gosto pelas letras, pela escrita, pelas quadras e pelas décimas.
Foi com ele que aprendi canções e lengalengas que trago até hoje gravadas na memória. Bem como os ensinamentos, os valores e os princípios que ele sempre fez questão de me transmitir.

Ele sempre disse o quanto gosta de mim.
Eu sempre disse o quanto gosto dele.
Ele é o meu maior fã.
Eu sou a maior fã dele.

Ele está aqui hoje. Ao meu lado. Lúcido e consciente. Bem disposto. Com um sorriso no rosto.
Um dia, eu sei, as saudades não caberão em mim. Mas hoje, a minha maior sorte é poder dizer-lhe olhos nos olhos o quanto o amo, o quanto o admiro e o quanto é especial para mim tê-lo na minha vida.

Há sempre tempo para um telefonema. Há sempre espaço para um abraço. Há sempre vontade para dar e receber um carinho.

Ele é o meu grande amigo.
E ele sabe disso.
Porque eu lho digo sempre que posso. Sempre que o vejo. Sempre que falo com ele.

O meu avô é um contador de histórias nato. Um contador de memórias. O tipo de pessoa que nos faz conhecer outras gentes e outros lugares do passado sem termos vivido, de facto, esses tempos.
Às vezes perguntam-me o porquê de eu estar a ouvir, novamente, aquelas histórias.
E eu respondo que nunca, mas mesmo nunca, ouvimos uma mesma história da mesma maneira. Por mais que sejam as vezes que nos tenham contado.

O avô Joaquim é aquela pessoa com quem ganhamos tempo.
Ganhamos tempo, ganhamos sabedoria e, mais cedo ou mais tarde, ganhamos uma grande amizade.


E ele hoje faz anos. 87.
E eu tenho o privilégio de o conhecer há 27. Mais a sorte que tenho em ser neta dele.
Por isso parabéns!
Parabéns ao avô Joaquim!
Parabéns àquele que tornou, torna e continuará a tornar o meu mundo neste lugar tão, mas tão, especial! Obrigada! Te amo! 🙏🏻❤







O TEMPO E O VELOZ "AGORA"💚 DE UMA PASSAGEM QUE NÃO PASSOU DISSO MESMO... 









 MONTAGEM-GUILHERME ESPADANAL
IMAGEM-ÁLVARO ESPADANAL
FRANDINA- 26 de AGOSTO DE 2011

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