LOBOS

Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem na alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível

Herman Hesse

domingo, 8 de novembro de 2009

Paisagens Humanas- Arcos


CARPEDIEM!
Mocidades...
1900
Joaquim Cabaço(Pai do Madeirinho) e Josefa(2ªa mulher)

1930...por aí!!!
Velho parente,Manuel martins,?,Jerólmo da Parreira,Velho Laré, VelhoMadeirinho(Cima)


 Fim dos anos 40??
Equipa de Futebol da época

1ro à esq. em baixo Inácio do Mélguinhas 

Anos 50 - Joaquim Cabaço, Madeirinho e Dona Cabacinha(baixo)



Anos 50

João pécuxinho, grizéu, Mestre Táta, Romão,????

Grizéu e CAETANO do PISCA-Início de 60


6/06/1969
Sr.Matos sogro do Sodó, Chico da Lebre, Cabaço,Lola, ',Barroso?,Pinto?,?,Quim das Jejéteiras,Helder e Quinaia.

Fim dos anos 60?
Curso da OLIVA
Velho Raspote-Mestre Táta-Nácita Proença-?-Anibal gato
?-Dona Vitória-?

Anos 70
Curso da Oliva
Tólho do Varelas-Mestre Augusto do Pisca-Filha do Cornél-?-Ana Maria
Maria Alice Gato-Marinita e ?

11/06/1972

Custódio-Fernando Armário, Álvaro, Rogério e Filho do Horácio
Custódio-Rogério-Álvaro

Fevereiro de 1973

Rui Dionísio, Fernando Armário, Rogério, Rola, Álvaro e Custódio

ANOS 80

Mestre Januário-Rui da Gisélia-Victor Cebola-Ernesto-Dona Gisélia- Virgolino-Angelino-Mulher do Virgolino-Bia do Rosário- Saudoso Fernando Hermínio Dionísio-Paulo Gomes

-Ah ! Bons tempos... bons tempos! Mocidade e mar. Sedução e mar! O mar bom e vigoroso, salgado e amargo, capaz de nos dizer segredos, de rugir ao ponto de nos deixar implacavelmente cortada a respiração.
... a mesa tão polida que nos reflectia o rosto como um espelho de água escura, as rugas, a velhice; rostos
marcados de canseiras, decepções, sucessos e amor; os nossos olhos fatigados que procuravam e ansiosos procuram ainda essa qualquer coisa que desaparece enquanto esperamos...
passa sem ser vista, num suspiro, num relâmpago... com a mocidade, a força, o romance das ilusões.

Mocidade
(joseph conrad)

...para meus PAIS, símbolo de todos os PAIS (a última geração...), que deram a sua vida pelos filhos.
SENTIMENTO PROFUNDO de GRATIDÃO.










(Barradas)
...Depois resta só uma ou duas com que te vais governando.
Aproveita o teu corpo enquanto estás dentro dele.Aproveita enquanto estás...
Angelino-Grizéu-Júlio-Alcina e Pécuré
Hoje, tive um grande DESGOSTO
Quando olhei para os vidros das montras
E via neles as rugas de meu rosto
Revelavam sentimentos de ALEGRIA
E de desgosto
Quando olhava para as montras... via
as rugas no meu ROSTO
DO meu primo Ventura Cantante Raminhos
Dez.2009

Ti Celeste-Pai-Pécuré e ?

Aproveita!











Em tempos que já lá vão...
Todos os nomes têm um rosto
O cheiro da fruta no verão
É mau sinal quando temos muito para contar
Cima-Bombarral, Cornél, ?, ? , Januário, Pai do Zé Domingos, Pai do Ernesto, Manuel Cabacinho, Álvaro, Rodrigues do Baioneta, Mestre Júlio Rosa, Ferrador Matos, O Saudoso Crujo, Malagueta e Gana.
Baixo- Cabaço, Américo, Filho mais novo do Bombarral, Zé Domingos, Rola e Pai do Virgolino

...a vida tem destas coisas! "Nã quêran lá ver"que a tia Vitalina viu em mim um talento com potencial para escrever uma poesia para o jornal da terra.
Ora poesia obriga a rimas, misturadas com sentimentos de AMOR, saudade ou dor...e essa coisa de rimar não me vem nada a calhar! mas, se o que habita no meu pensamento ronda essas três palavras e com elas me identifico, talvez aconteça "POETAR".
Contudo, prefiro as cores. O azul dos acontecimentos, o vermelho dos ROSTOS, o verde dos nomes.. Todos eles com uma história. Também quase todos já desaparecidos e por esse motivo aí vão em geito de homenagem.

(Avó-Cartólas-Cabrito-Farelo-Pai do Jaime)
Ricos ou pobres...não interessa para o caso. Nem sequer me lembro do seu poder político e social. Acreditem...o que eu sei é que, sem eles, a minha vida não teria sentido.
Maria do Carmo e Maria Luisa
Partiram, viveram, voltaram. Outros ficaram mas todos eles estão bem presentes nas minhas recordações.
Viagens pela Europa, conhecimentos em muitas línguas, PAIXÕES e amores vividos, centos de livros lidos, confrontos desalentos e amores perdidos...mas sempre à procura em honesto estudo e duro trabalho, elevaram o meu estatuto social. SONHOS tornados realidade...Todos. Ou quase. Minha MÃE LUÍSA dizia:-Mais um casaco de cabedal!?...és um RICO, tens tudo . Eu respondia:-Devo-o a si e ao trabalho desse grande homem, meu pai trabalhador de domingos e dias santos. Trabalhador honesto justo e amigo de todos.Eu pouco fiz.
(Lino filho do Virgolino-anos 80).+ Eu anos 60
Mas o que habita em mim e preenche o meu imaginário são as tardes quentes de VERÃO, as ruas desertas, com 40º à sombra. Todos dormiam a sesta, menos nós GAIATAGEM, com tanto para viver, para brincar, para falar. O tanque do CAPELAS.Chegam-me também os AROMAS, os SABORES, os SONS: o sabor adocicado do "garoto" no café do SÓDÓ, o seu nervosismo expresso pelo coçar da cabeça quando via a casa cheia.O Cheiro a cerveja no café do Ameixa-e como cheirava bem a cerveja sagres naqueles tempos;
as conversas em FAMÍLIA do Marcelo Caetano acompanhadas também pelos jovens...o seu discurso meigo fazia adivinhar o nascimento dum novo tempo.
Os Festivais da canção era nesse tempo um acontecimento sentido por todos, que não sabe hoje cantar alguns versos da DESFOLHADA ou de ELE e ELA?!...canções que ficavam retidas nas memórias e que ainda estão bem presentes no imaginário dos Portugueses da minha GERAÇÃO.

casa interior do café do Sodó
Reconheço o Januário do Banha, O Bilho Armário o Varandinhas e o eterno Sodò



A orquestra delirante dos GRILOS ensona todos os presentes. À sombra dos sobreiros os GAIATOS movem-se sem preocupações; chapéus de palha e calções rasgados, caras sujas e cabelos desalinhados ...o GORDO com uma palha pica os grilos nos buracos...o grilo deixa o buraco e entra no sapato velho. No céu os cúmulos esbranquiçados anunciam a Primavera com o seu colorido de BORBOLETAS, de FLORES, de picos que decoram a paisagem de sonhos onde os GAIATOS continuam a procurar os grilos nos buracos.
O "guarda verdades" de joelhos ensanguentados vai chutando a bola contra uma baliza imaginária enquanto o Carvalhinho prostrado na doce relva de fim de inverno, sente-se incapaz de suster o corpo amalandrado.
Arcos, 18/04/1981
Cabrito-Cardoso Cereja e Rui do Silvério


A música repetitiva da concertina contratada pelos rapazes das SORTES, todos de roupa desalinhada pela noite mal dormida; Os bailes da CASA do POVO, onde não tínhamos permissão de entrar...e que bailes, tudo cheio até rebentar e lá estava o "mão Cronha", o AMARÃO- um colosso à porta de entrada! ele bem queria cumprir a sua missão, mas o OLHAR desfazia-se em sorriso e traía-lhe a intenção...e no intervalo lá nos deixava entrar. O primeiro BEIJO e os seus cabelos longos...como era lindo o meu amor e a minha FELICIDADE em o viver.
Samarrinha+Stério
Lembram-se também do Cartólas e da Maneta na venda do peixe? o "Bacalhau", sempre que podia e com a sua eterna bebedeira, metia a mão na caixa e roubava duas sardinhas que logo levava à boca e mastigava sem Hesitação. O "V´cente" do leite cedinho nos batia à porta...é o Leeeeetiiiii.
a BARBEARIA DO PÉCURÉ onde cheirava a suor do fim do dia.



A cabana do Gatorro no quintal do João Pé Cuxinho, o cheiro típico da mercearia do "Fodrico" e o das tripas penduradas à porta da loja do Rato.O MODERNISMO do estabelecimento do Aníbal, onde a eficiência do Zé do Aníbal fez história. O Belo com o seu carro da mula a vender o carvão tocando uma corneta irritante mas eficiente para fazer sair de casa as mulheres aos bandos com os cestos de verga.
" Belo carvoeiro" Avó
Gateros
anos 60
 


O mapa a arder...tam...tram...tram..tam tam..era o BONANZA nas noites de sábado na Casa do Povo. O campeonato do mundo de futebol de sessenta e seis, os cinco a três...grande EUSÉBIO à Coreia do Norte, minha mãe e todos aos gritos de braços bem erguidos.
Em pé:
João Morais, Alexandre Baptista, Hilário, Jaime Graça, Vicente e Carvalho
Em baixo:
José Augusto, Torres, Eusébio, Coluna e Simões



A equipa de futebol que só não ganhava à colónia de Vila Fernando. As festas anuais e o sorriso bondoso do Padre Martins. A bola pesada do João do Secretário.
Equipa Histórica a do Sebastião a Guarda - redes.



"Padre Martins"
 

O gaiatos CIGANOS a pedirem de porta em porta:- por favor deia-me um cadinho de pão quedou-lhe um moinho pó seu filhinhoooo...!?..
A carpintaria e a loja de mobílias do Angelino.
AS Bestas do Alvino e do Azeite.
Ao fim de uma tarde, fim de mais um dia de trabalho a praça está concorrida e decorada com os vários conjuntos de personagens: os velhos que foram, novos os que hão-de ser e nós os médios os que serão.
Nos bancos emadeirados do ROSSIO, circulam ideias desprovidas de cálculos intelectuais, desprovidas de artificialismos-são os velhos enrrugados pela passagem das estações. Velhos que todos os dias se sentam nos mesmos locais, discutindo as mesmas coisas. Os novos, esses também os mesmos sem grandes inovações.
O SOL desce por cima dos telhados da freguesia, astro de calor ameno a esta hora, continua a enrrugar as faces vermelhas dos trabalhadores condenados.
Na torre da igreja o relógio marca sete horas da tarde, a bandeira do CATAVENTO indica bom tempo...os cães ladram igual a todos os dias e a pele de borrego pende no suporte da bicicleta do cabrito, indicando o sacrifício PASCAL.
Arcos, 16/04/1981


Velho Daniel+Velho Peseta+????
Ti Celeste (baixo)

Pai com a "Joaninha" + Sra Celeste
Havia outra MAGIA de CORES, pelo fins das tardes: o desfilar das vacas bem tratadas do Arrobas a dirigirem-se ao bebedouro do tanque; as mulheres em bando, regadas de chuva, no regresso da azeitona e as matanças...reunião de famílias; o Zé Paixão sempre educado e cumprimentador levantando o chapéu.O "Borrega branca" com a cova no queixo e a caixa das injecções; o pai do Rodrigues e o pai do Armindo com os carros de mulas puxando o trabalho; a carrinha de madeira do "Pexóca", na manhã de sábado, carregada no armazém...e a tristeza negra dos funerais.
Zé Paixão e Família
Filha e esposa

Joquim Zé, António, Grizéu e Angelino


Mulheres na azeitona -fins de 60
Benvinda Cartólas-Virgínia Carvalho-Edmundo Garcia (Pai da Maria das Neves)-Manuela do coelhinho-Maria Luzia mulher do Salas

Na azeitona ( Cima)Zéfa do caco-Joaquina Rádares-Ti Vitalina-Pila mãe e filha-Mãe Maria Luisa- (Em Baixo) Amélia-Joaquina Rádares Eu- Fernanda Rádartes
 

Toda esta lengalenga poderá não ter sentido para a "POESIA" dos mais jovens habitantes da minha terra. Também já não os conheço:-ÉS filho de quem?!...Não te conhecia, brinquei muito com o teu pai, era da minha JUVENTUDE. Ainda hoje esta fórmula serve. Já a ouvi em tempos e desta vez sou eu que estou do outro lado a usá-la. Outros virão e a repetirão...mas, não será a
vida uma repetição de factos?

  
Umbelina do belo-Dalginja-Amélia-Pelagrilos-Zéfa-Vitalina Mulher do Pinto-Pila (cima) Arregota-Eu-Fernanda Rádares-Pila filha-Joaquina Rádares(baixo)

E aqui estou eu, ao encontro do tempo passado, talvez perdido! Reflexões SAUDOSISTAS?...Não. Só de SAUDADE:


Eu-Tólho Varelas-Chici tira picos-Joana Banha-Rogério-Mãe 2ªfoto- Fernando-Avó-Eu e Mãe

 
 


(Centro)Barroso-António João-Toninho-Fernando-EuCandeias

Baixo-Eu-Maria Joana-Fátima-Ascensão-Pexóca
 
Mas convém lembrar que, antes, os Arcos não era a terra organizada e cheia de bem - estar que é hoje.
Agora, podemos aqui admirar e exultar com o trabalho feito por alguns CAROLAS e, naturalmente, constatar o resultado de uma evolução natural da sociedade portuguesa. Toda a gente tem uma casa com todas as modernices destes tempos de evolução tecnológica. Água , esgotos, luz "foi coisa que em tempos não houve"...e as ruas alcatroadas só hoje seriam más, se as crianças ainda usassem FISGAS-não eram esses os nossos armazéns de pedras?
Pai no forno do António
Tudo para melhor. Quem diz o contrário, ou se lhe adapta o dito"pior cego é o que não quer ver" ou ficou parado no tempo!
E o lar da terceira idade? Que o diga o meu pai, que vive feliz como um REI. Só quem ainda não passou o que passei com a grande Maria Luísa, poderá não compreender que esta foi a obra mais importante que se fez nos Arcos em todos estes anos de LIBERDADE.
Fabuloso o LAR e quem lá trabalha.
E fico por aqui. Simplesmente tentei escrever a "POESIA" que minha tia me pediu...não saiu POESIA, talvez apenas nostalgia! e no olhar, a querer borbulhar, uma gota teimosa que me soube orgulhosa! e a pergunta com alguns matizes:- Não somos hoje, apesar de todo o nosso bem estar, um bocadinho infelizes?
...porque será?


 
Amigo Zé das Cautelas

...porque a salada de tomate já não sabe como dantes?
...porque a fruta não tem o mesmo cheiro?
...ou afinal, porque vamos perdendo quem amamos e só quando eles desaparecem, compreendemos o valor que tinham nas nossas vidas.

Casamento do Chico 


A vida continua e temos uma terra muito bonita.
Cheia de cores e de sentidos...então sorriam e tentem ser FELIZES.
Álvaro Espadanal- Dezembro de 2003


Estes foram tempos MAGNÍFICOS...uma meninice rica de sonhos e experiências, havia naturalmente problemas e preocupações como hoje, penso no entanto que muito se perdeu com esta abertura ao mundo(enriquecedora), perderam-se sentimentos como a bondade, ingenuidade, ...perdeu-se o respeito pelo próximo e o orgulho nas pessoas que fizeram de nós o que somos hoje, os nossos antepassados.Tudo o que assinalei em cima é para prestar homenagem a todas as personagens que como nós tiveram sonhos, deram o "LITRO" nos seus trabalhos e nas suas funções. Não era como se diz agora um País livre...tinha uma GUERRA absurda em África e faltava muita coisa na vida das populações. Havia no entanto fundamentos importantes para as pessoas se sentirem Felizes: Segurança, mais igualdade, orgulho no País e nos seus dirigentes.Honra e Ética eram os fundamentos para uma vida em comunidade. Hoje tudo isso se perdeu numa sociedade descaracterizada por modelos vindos do exterior que nem sempre são os mais adequados para a sobrevivência duma cultura e de um País. A dependência do exterior é total e trabalhar deixou de ser uma PAIXÃO para muita gente, estamos numa sociedade onde o lazer é o seu objectivo, muitas das economias estruturam os seus rendimentos nestas áreas. Mas vivemos neste tempo e temos que olhar em frente e lutar para uma sociedade mais justa e equilibrada, as diferenças sociais aumentaram, mas também as oportunidades de concretização de sonhos aumentaram na mesma medida. O acesso ao ensino e à cultura está agora ao alcance de todos.Apesar desta análise crítica à organização social do presente, saliento (com toda a certeza) que vivemos na melhor época da história da Humanidade no que respeita à qualidade de vida, mas o respeito pela NATUREZA não acompanhou essa evolução, a FAUNA e a Flora do MUNDO sofre as consequências duma exploração exagerada para alimentar milhões de bocas das sociedades ocidentais ricas, a POLUIÇÃO dos rios e oceanos ameaça-nos a sobrevivência como espécie. Esta sim a parte negra do Capitalismo desenfreado, do insaciável desejo de LUCRO dos nossos dirigentes e poderosas organizações. A liberdade também é dependência, pois não conseguimos ser donos dos nossos destinos. O livro de ORWELL, o "TRIUNFO dos PORCOS" é o retrato mais lógico da sociedade actual e dos seus líderes.


Cquote1.png 1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal...todos os animais são iguais
Cquote1.png 4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais que outros.
Cquote2.png

Todos os animais são iguais mas há uns que são mais iguais que outros.




Cquote2.png
Rádares (baixo)
+ Hoje...


"Zé maideia"

Samarrinha

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